terça-feira, 13 de julho de 2010

Lembranças e medos


A parte mais difícil de qualquer coisa que vamos fazer é sempre a mesma. O começo! Como começar um texto por exemplo: sobre o que falar? Como falar? Para quem falar? O que escrever? Será que vão me julgar um idiota? E minhas idéias, será que são tão boas? São tantas dúvidas que até desanima começar! Complicado não?

É exatamente nessa hora que somos testados por nós mesmos. Não consigo entender porque temos tanto o desejo de fracassar. Muitos vão falar: “para meu.. nada haver isso!”... “quem quer fracassar... você esta louco?”... Não não amigos, não estou louco. Mas quando olho para o lado vejo sempre o mesmo filme. Pessoas que desejam tanto e lutam pouco. Pessoas que querem um final rápido com uma luta fácil e sem desafios. Pessoas que optam pelo mais simples, o mais cômodo sempre e aquelas que querem algo diferente mas não se dão o direito de tentar.

Vejo hoje que o medo de errar, o medo de ser julgado incompetente faz com que as pessoas congelem e simplesmente desistam de tentar. É engraçado dizer isso, mas quantas vezes começamos um regime e deixamos de lado? Começamos a ler um livro e de repente não sabemos mais onde ele esta? Deixamos de ligar para um amigo porque queremos dormir dez minutos a mais... A vida vai passando ao nosso lado e vamos deixando sempre para depois e o meu medo... sim meu maior medo é que esse depois pode não chegar. Se tudo acabasse hoje penso em quantas coisas mal resolvidas ficariam para trás. Os “te amo” que eu não disse... Os “me esqueça” que falei sem querer... Quais palavras ficariam ecoando na cabeça das pessoas que eu amo? Quais as lembranças que guardariam de mim?

Lembranças... Nessa corrida diária não temos mais tempo de recordar o que já passou, de aprender com o que vivemos e de entender o que fizemos. Quantas vezes me pego pensando que deveríamos ter no nosso dia um tempo para refletir... Isso mesmo, como temos a hora do almoço, a hora da janta deveríamos ter um momento onde diminuiríamos o ritmo, sentados em um lugar especial, um som rolando no fundo e um tempo para pensar. Tomamos decisões importantes uma atrás da outra, definimos nosso futuro a cada dia e não paramos um segundo para lembrar como chegamos até aqui.

Vivemos nos preocupando com o futuro e tentando entender o passado. Vivemos pensando nas escolhas que temos que fazer amanha. Deixamos a pessoa amada sair de nossas vidas sem entender o motivo. E hoje, que parei para pensar não posso deixar de dizer que um novo medo surgiu e tomou conta de mim: se hoje já vivemos por viver como meu filho viverá?

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